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MUNDO BOTONISTA
Em Algum Lugar do Passado

Por José Jorge Farah Neto (22/09/2026)

Saudades

Tenho visto inúmeros textos maravilhosos sobre nosso futebol de botões, gente que conta coisas absolutamente lúdicas e de muita expressão. Nessas horas, puxo pela mente alguns momentos que marcaram minha vida de jogador de botão e depois de atleta. Aí me vem à mente meu grande artilheiro, de nome Clayton (atleta do Guarani precocemente falecido), um botão que possuo até hoje e que foi meu grande jogador, aquele super artilheiro que enfeitou minha infância e me fez feliz diversas vezes.

Feito este preâmbulo para lembrar histórias — ou seriam estórias — de amigos malucos pelo esporte que fizeram, assim como eu, a mente divagar e sonhar com situações incríveis. Reza a lenda que o atleta Vinade, um cavalheiro nas mesas, em uma noite, quando o Paulistano — do saudoso Professor De Franco — foi campeão paulista de clubes, estava em uma pizzaria com seus colegas de equipe comemorando o título. Vinade pediu uma copa a mais para tomar cerveja e, para espanto de todos, quando chegou o segundo copo, ele o encheu imediatamente e jogou seu time todo dentro dele.

Todos ficaram espantados e, obviamente, perguntaram o porquê de o Vinade ter feito aquilo. Prontamente ele respondeu aos caras. Os botões passaram a semana concentrados, então, nada mais justo que hoje tomarem um porre; A risada na mesa foi geral e até os presentes no entorno riam sem saber o porquê do fato.

Temos também um outro fato que merece registro do saudoso Lito, que estava em uma avenida de São Paulo quando foi abruptamente abordado por assaltantes e foi obrigado a descer do carro, pois eles queriam o veículo. Ele desceu e imediatamente pediu: "Posso pegar minha caixinha de botão no porta-malas?" "Se eu perder esta palheta, terei problemas." São coisas que a vida nos prega. 

Para fechar esta crônica, uma última lembrança que aconteceu com um amigo querido de nome Guilherme Biscasse, que é pai dos botonistas Lely e Lennon, craques e pessoas da melhor qualidade. Jogávamos diversas vezes em meados dos anos 70, e ele era um craque, e eu nunca ganhava dele, até que um dia, cansado de apanhar, eu disse: "Se eu ganhar de você hoje, ganho o quê?" Ele tinha uma loja de botões e outros negócios na Rua dos Trilhos. Ele, sorrindo, disse: "Você escolhe o que quiser." E fomos para o confronto. Para não perturbar muito os amigos com excesso de conversa, ao final da partida eu venci por 5x4. Fiquei feliz demais. Aí ele falou: "Pode pegar o que quiser."

Eu quase pedi o famoso SAAD com o qual ele jogava, mas fiquei envergonhado e peguei uma tacinha que ele havia ganho em um torneio, que está comigo até hoje, na minha estante especial. É isso, um pouquinho de história para meus amigos passarem um pouco de seu tempo. Agradeço a paciência e o carinho de todos.

Forte abraço e até breve.

Biblioteca de "Em Algum Lugar do Passado"
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José Jorge Farah Neto, gestor desportivo e jornalista, nasceu em São Paulo, capital, presidente da CBFM (desde 2020) e da FPFM (desde 2018), anteriormente ocupou a presidência da Federação Paulista de 2007 a 2014. Autor do "Almanaque do Futebol Paulista" de 2000 a 2014, o historiador ocupa a cadeira 28 entre os 40 membros da Academia Brasileira de Letras do Futebol. Dentro da plataforma Mundo Botonista, Fara já escreveu sobre gestão esportiva e hoje se dedica ao resgate da história do futebol de mesa na coluna "Em algum lugar do passado".
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farah@mundobotonista.com.br

(011) 99944-3000

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