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MUNDO BOTONISTA

Por Sergio Travassos (07/05/2026)

Fogo

Entre o querer e o poder há inúmeras nuances influenciadoras. Muitos fatores para um planejamento. E entre planejar-se e dar certo... há tantos e tantos capítulos. Mas temos que ir em frente. E se estivermos com medo, temos que ir assim mesmo. Diz a lenda que os vikings, ao desembarcarem numa praia em busca de tesouros ou a passagem para Valhala, queimavam os barcos. Assim, ninguém poderia retornar para tentar fugir. Ou conquistavam ou partiam dessa para se embebedar com Odin.

O mesmo pensamento permeou o Exército Vermelho na II Grande Guerra. Pequenos grupos de cinco homens recebiam um rifle e, cada um, estojos com balas. Se o primeiro homem tombasse com o rifle, outro deveria empunhar a arma e seguir rumo às metralhadoras nazistas. Caso sentisse medo de ir em frente e decidisse retornar, na sua retaguarda um agente estava lá com uma pistola prontinha para atirar. Retroceder não era opção.

E lá vamos nós novamente, para um torneio. As condições são favoráveis? Claro que não. A vida imita a arte e o botão imita a vida. No entanto, após um milênio longe das mesas, decidi conquistar o direito de ir desafiar-me com os melhores das mesas em brasa. E, tal qual os vikings, vou queimar os barcos. 

Mesmo que não haja inimigos à frente, apenas bons e exigentes professores, o fogo já está cintilando dentro de mim. O calor sobe e o brilho aumenta. Falo de mim, mas sei que todos que competem e têm dificuldades pessoais – independentemente de qual monta for – passam por dias e dias de angustiantes pensamentos. Vários pensamentos e uma decisão apenas: ir ou não ir ao campeonato. 

Principalmente sem treinar adequadamente. Principalmente sem as contas equilibradas. Principalmente com questões familiares, sempre com pesadas consequências. Principalmente com o trabalho que tanto influencia no coração, na mente e na alma de cada botonista. E, percebam, todas as questões anteriormente elencadas estão precedidas da palavra “principalmente”, pois todos esses e outros fatores são importantes e prioritários. Não há hierarquia.

E dizemos para os amigos: tá fogo. “Um passo à frente e você já não está no mesmo lugar.” Mas a decisão precisa de muitos pensamentos que a precedem. Cada um sabe o seu drama. Poucos têm a sensibilidade de perceber, atrás de um sorriso entre os reencontros das mesas, o verdadeiro momento dos colegas. E nunca saberemos, até acontecer, aonde isso vai descambar.

“Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro.” Estarei lá nas belas e deliciosas mesas a deslizar, fazendo faíscas com os botões. Descerei como uma silhueta sombria no grande salão. Atrás de mim, a chama alta de um barco. Um brinde a Odin.

Sergio Travassos é  jornalista com outras duas formações - Educação Física e Marketing - que atua há muito tempo em prol do desporto pernambucano. Tendo passagens pela Federação Pernambucana e CBFM. Sendo uma das figuras que mais defende o jogo de futebol de mesa, independente da regra de atuação, bem como que as competições sejam feitas em locais públicos, visando atrair mais visibilidade para o futmesa.

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travassos@mundobotonista.com.br
(081) 97100-2825

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