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MUNDO BOTONISTA

João Paulo Leal, carioca de 36 anos e vascaíno de coração, reside em Goiânia, onde construiu uma trajetória marcada pelo equilíbrio entre o Direito, a literatura e o esporte. Advogado, é pós-graduado em Direito Público e Psicologia Jurídica, atuando nas áreas previdenciária e pública, com dedicação à promoção da justiça social. Apaixonado pelo futebol de botão desde a infância, nos anos 1990, influenciado pelo irmão mais velho, mantém viva essa paixão como praticante das regras 12 Toques e Dadinho. Nas horas vagas, expressa sua sensibilidade através da escrita, dedicando-se à criação de poemas e artigos literários, nos quais reflete sobre a alma humana e as experiências do cotidiano.

A mesa da memória e da maestria: aprendizagem e perseverança no futebol de mesa

Por João Paulo Leal  (05/11/2025)

Para muitos de nós, a paixão pelo futebol nasceu em miniatura, nos campos de feltro ou madeira, impulsionada pelos estalos secos dos botões sob nossos dedos. O futebol de mesa, o saudoso futebol de botão, não era apenas um passatempo infantil; era um laboratório de táticas, um palco para a criatividade e, acima de tudo, um exercício constante de aprendizagem e perseverança. Para muitos atletas que hoje brilham nos gramados profissionais, essa brincadeira de outrora plantou as sementes da disciplina e da resiliência.

A curva de aprendizado no futebol de mesa, embora pareça simples à primeira vista, revela-se surpreendentemente íngreme. Dominar o toque preciso, a força ideal para um chute a gol, o ângulo perfeito para um passe que quebre a defesa adversária – tudo isso exigia horas de prática, de repetição incansável. Cada partida era uma lição, cada gol sofrido, uma oportunidade de analisar os erros e ajustar a estratégia. Era a iniciação precoce na arte da autoavaliação, fundamental para qualquer atleta de alto rendimento.

Lembro-me das discussões acaloradas sobre a melhor formação tática, sobre o botão com o peso ideal para cada função. Experimentávamos diferentes materiais, lixávamos as bordas em busca da aerodinâmica perfeita. Essa busca incessante pela otimização, pela melhoria contínua, é um traço marcante dos esportistas de sucesso. No futebol profissional, essa mentalidade se traduz em treinos exaustivos, análise de desempenho e a constante busca por aprimoramento técnico e tático.

A perseverança, por sua vez, era forjada nas incontáveis derrotas. Quem nunca sentiu a frustração de ver aquele gol certo ser defendido no último instante ou de perder uma partida nos detalhes? No futebol de mesa, aprendíamos desde cedo que a derrota faz parte do processo. Levantávamos a cabeça, rearrumávamos os botões e nos preparávamos para o próximo desafio. Essa resiliência, essa capacidade de superar os obstáculos e seguir em frente mesmo diante da adversidade, é um pilar fundamental na carreira de qualquer jogador profissional.

Os campeonatos improvisados entre amigos, as rivalidades acirradas, a comemoração efusiva de um gol bem construído – tudo isso moldava nosso caráter competitivo e nos ensinava o valor do trabalho em equipe (mesmo que a "equipe" fosse controlada por um único jogador). A alegria da vitória e a lição da derrota nos preparavam para as emoções intensas que o esporte profissional reserva.

Hoje, ao observarmos a dedicação e a paixão dos jogadores de futebol profissional, é impossível não traçar um paralelo com aqueles tempos de infância, com a mesa que se transformava em um universo de possibilidades. O futebol de mesa, para muitos, foi mais do que um jogo; foi uma escola de aprendizado contínuo, um campo de treinamento para a perseverança e, acima de tudo, a faísca inicial de uma paixão que, para alguns afortunados, se transformou em profissão. Aquele estalo seco do botão ecoa, ainda hoje, na vibração da torcida e na determinação de cada atleta em busca da vitória. A mesa da memória nos lembra que a maestria, em qualquer campo, nasce da dedicação incansável e da crença inabalável no próprio potencial.

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Breno Marques

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