Painel do Mundo
Por Sergio Travassos (01/03/2026)
Faço

Caminho lentamente. Pego a chave do bolso direito e acerto, de primeira, a fechadura. Acendo a luz. Retiro a capa do campo. Sinto o silêncio que abraça o meu ser com um carinho reconfortante. Deslizo o papel por sobre o campo. Tudo quase burocrático. Pela primeira vez em tempos, nenhum pensamento surge em paralelo. Apenas faço o que precisa ser feito.
“Apenas faço o que precisa ser feito.” Essa frase é de uma força incrível e surge num paralelo enquanto massageio gentilmente os botões de acrílico. Acredito nessa frase. A força dela é que realmente é a frase de um homem. Quantas vezes queremos fazer algo e não o fazemos. Tantas e tantas vezes optamos por fazer o que precisa ser feito. Algumas vezes, inclusive, sem querer fazer aquilo. Um “não” a um familiar. O fim de um relacionamento. Um aperto de mão indesejado. Um sorriso amarelo numa despedida.
Encerro as massagens nos botões. Todos perfilados na vastidão do campo de madeira. Não inicio o treinamento. Puxo uma cadeira para perto. Sento-me. Observo por uns instantes. Breves instantes. Cerro os olhos. Se não o fizesse, lágrimas cairiam. A vontade de treinar já se foi antes mesmo de chegar ao clube, mas não quero ir embora dali. Tantos foram os momentos. As emoções vividas e vívidas ainda estão na minha lembrança turva. Pensamentos outros surgem. Lembranças se misturam. Abro a boca como se fosse falar algo para um alguém invisível ali presente. Desisto.
O silêncio sou eu e eu sou o silêncio. Fazer o que precisa ser feito é o que se tem. É o preço da liberdade. É o grilhão de todo ser livre. O que eu estava pensando há tempos, sem encontrar a solução, sem pensar nada, apenas ouvindo o silêncio, me apareceu decidido: fazer o que precisa ser feito. Por mais que doa.
Levanto-me e afasto a cadeira do campo. Inicio o treinamento sem vontade de treinar. É o que precisa ser feito. Decido o meu destino ali. Não porque gostaria de ter decidido dessa maneira, mas foi decidido e, convenhamos, é a decisão mais fácil, dentre todas as difíceis. É o fim de um ciclo e o início de outro. Isso assusta, obviamente. Mas um homem é o que ele decide ser.
Decido ir embora. E o faço. Hoje, Pernambuco. Amanhã, será outra decisão.
Sergio Travassos é jornalista com outras duas formações - Educação Física e Marketing - que atua há muito tempo em prol do desporto pernambucano. Tendo passagens pela Federação Pernambucana e CBFM. Sendo uma das figuras que mais defende o jogo de futebol de mesa, independente da regra de atuação, bem como que as competições sejam feitas em locais públicos, visando atrair mais visibilidade para o futmesa.
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