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MUNDO BOTONISTA
Planeta Dadinho

Por Alysson Cardinali (20/05/2026)

Sem essa de ‘brincadeira de criança’. Mudar é preciso!

“Brincadeira de criança, como é bom, como é bom...” A letra do famoso pagode composto pelo grupo Molejo, sucesso absoluto no longínquo ano de 1997 — ainda hoje apreciado por muitos fãs do gênero — enaltecia, de forma pueril e bem-humorada, o Pique-Esconde, o Pique-Cola, o Pique-Tá, o Pique-Bandeira, a Amarelinha... Embora não seja citado na canção composta por Wagner Dias Bastos e Delcio Luiz da Silveira, o futebol de botão, à época, também era o divertimento predileto de muitos meninos e meninas, ávidos por fazer gols segurando uma palheta e impulsionando seus craques nos famosos ‘Xalingões’ e ‘Estrelões’ da vida. 

Passadas quase três décadas, o nosso querido futebol de botão – embora ainda seja uma excelente atividade lúdica para crianças e iniciantes — cresceu e apareceu, mas não da maneira que merece. Já havia sido reconhecido como esporte pelo Conselho Nacional de Desportos (CND) em 1988 e hoje, sob a alcunha de futebol de mesa, tornou-se coisa séria — ao menos para o cada vez maior contingente de atletas federados, nas mais variadas regras, por todo o Brasil. Só que, apesar da evolução e de todos os avanços, segue como uma atividade meramente infantil para grande parte da população, que não tem acesso à apaixonante realidade do esporte. Pode parecer um contrassenso, beirar a incoerência, mas o paradoxo existe.

Afinal, quantas vezes você, leitor(a), viu o futebol de mesa virar tema de matéria jornalística em uma grande emissora de televisão ou em um renomado portal de notícias na internet. Raríssimas! Para piorar, o foco, o viés, a pauta sempre retratam a famosa brincadeira de criança, um encontro descompromissado de amigos para se divertirem e relembrarem os tempos de infância. Nada contra tal revival, mas é preciso (urgente!) mostrar, em rede nacional, que há algo mais sério acontecendo em outras mesas. O famoso ditado “a propaganda é a alma do negócio” é lapidar. Hoje, aliás, é forte ferramenta para consolidar o esporte e atrair novos praticantes no cenário federado. 

Noves fora a dificuldade de se conseguir espaço na grande imprensa, é necessário arregaçarmos as mangas e nos aprofundarmos nesse tema que realmente não é brincadeira. Que tal olharmos para o nosso próprio umbigo e tentarmos difundir e divulgar o futebol de mesa de forma mais relevante? Temas não faltam: as competições oficiais, as federações, as regras, os grandes jogadores. Sim, amigos, é preciso colocar o dedo na(s) ferida(s). Trata-se de tarefa (quase) hercúlea, mas não impossível. Afinal, assim como o tênis de mesa é visto – e divulgado – de forma diferente do famoso pingue-pongue, o futebol de mesa pode (e deve) ser retratado com o peso que conquistou após muito esforço e determinação de alguns abnegados praticantes.

Para encerrar, fica minha singela homenagem ao já saudoso craque Oscar Schimidt, gênio do basquete mundial, e que, infelizmente, nos deixou no último dia 17 de abril, aos 68 anos de idade. Além de brilhar nas quadras, ele fez bonito nas mesas, como atleta federado, em São Paulo, pelo Maria Zélia, na regra 12 Toques, em 1996. Premonitório, revelou, em 2021, durante divertida live, com meus amigos da Lafume, que “o futebol de mesa é uma brincadeira somente até começar o jogo, a partir da primeira palhetada.” Saudade!

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Nascido em Nova Friburgo (RJ) em 1971, mas morando há mais de 30 anos na cidade do Rio de Janeiro, o jornalista esportivo Alysson Cardinali, com passagens pelos jornais O Fluminense, Jornal dos Sports, O Dia e Expresso (Infoglobo), revistas Placar e Invicto, além do canal SporTV, é um apaixonado não só pela profissão, mas pelo futebol de botão. Praticante da regra Dadinho, Alysson é atleta filiado à Federação de Futebol de Mesa do Rio de Janeiro (Fefumerj) e, além de disputar as competições oficiais pelo Brasil, pretende divulgar o esporte e angariar cada vez mais praticantes para perpetuar o futebol de botão entre as futuras gerações.

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cardinali@mundobotonista.com.br

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