Painel do Mundo
Por José Carlos Cavalheiro (08/04/2026)
Por que o Dadinho crescer tanto?

Inicio essa crônica fazendo uma confissão: apesar de carioca, nunca gostei de jogar com dadinhos. Segundo a explicação de um amante da regra — e quem sou eu para discordar dele — nesse jogo, é necessário que algo circular acione outro objeto circular, que golpeará algo quadrado para que este entre em um espaço retangular. Continua sendo algo muito complexo para mim, acostumado à simplicidade das pastilhas e bolinhas de feltro ou microfibra.
Quando da unificação das federações no Rio de Janeiro, no distante ano de 2005, e a Fefumerj absorveu a Feboerj por ser mais antiga do que a segunda, sempre apoiei, como responsável pelo site da entidade, o desenvolvimento da regra Dadinho, dando grande ênfase às matérias que relatavam os resultados dos campeonatos e buscando colaboradores que deixassem os temas da regra atualizados. Confesso que tal apoio tinha um componente maquiavélico. Como todos sabem, a imensa maioria dos cariocas, na qual não me incluo, foi iniciada no futebol de botão através de dadinhos e não de outras "bolas". Minha lógica era trazer para a federação uma grande quantidade de potenciais atletas que, futuramente, se interessariam por regras que, no meu entender, eram mais interessantes (12 Toques e a regra estadual Pastilha).
Eu estava completamente enganado. Atualmente, a regra Dadinho é, de longe, a mais praticada na federação do Rio de Janeiro, com cerca de 250 adeptos, e a segunda mais difundida no Brasil, com 974 atletas inscritos, ficando apenas atrás da 12 Toques, mas com uma diferença pouco significativa em termos estatísticos. Isso se considerarmos 1 Toque Cavado e 1 Toque Liso como regras diferentes. Buscando entender onde errei tão grosseiramente na minha estratégia e o porquê de tanto crescimento, busquei a opinião de figuras proeminentes do Dadinho, como o nosso cronista Alysson Cardinali, do diretor da regra junto à Confederação Brasileira, Ronald Neri, e do jornalista da ESPN, Rafael Marques, grande incentivador do Dadinho Retrô, uma outra forma de jogar a regra com botões e mesas menores. Listo abaixo os principais motivos, elencados pelos supracitados, que tentam explicar o sucesso de uma regra que ainda irá cumprir 15 anos de oficializada nacionalmente.

Alysson Cardinali, Ronald Neri e Rafael Marques - meus consultores nessa investigação
► Trabalho voluntário de expansão
A primeira causa do crescimento da regra deve-se ao trabalho voluntário dos senhores Ronald Neri e Bruno Romar, que viajaram por diversos estados do país, utilizando recursos próprios, para explicar e difundir a regra. Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Pernambuco receberam a visita e as orientações desta dupla pioneira.
► Jogabilidade
A simplicidade e o dinamismo da regra podem também explicar esse rápido crescimento. Cada tempo tem apenas sete minutos e, mesmo assim, se palheta muito e se chuta muito ao gol. Isso faz com que a regra se assemelhe mais ao jogo que praticávamos quando crianças, tornando-a muito atrativa. Além do mais, um jogador pode se tornar competitivo em menos tempo do que em outras regras.
► Transmissões ao vivo
A Fefumerj transmite ao vivo, pelo Instagram e pelo YouTube, grande parte dos eventos do Dadinho, inclusive com o apoio de uma empresa especializada nesse tipo de cobertura. Narradores como Bruno Soneca e Romulo Violante (vulgo Tigrão) foram figuras-chave nessa difusão da regra para outras partes do Brasil, ajudando que atletas de destaque fossem reconhecidos e admirados em outros estados da federação. Alguns atletas, como Rodrigo Bandini (Fluminense) e Bruno Santos (São Cristóvão), transmitem, através de suas redes sociais, treinos e torneios não oficiais dos quais participam, fomentando o interesse em outros estados da federação, notadamente no Nordeste e Centro-Oeste.
► Poder sedutor do Rio de Janeiro
Apesar dos problemas que a cidade enfrenta, muitos holofotes ainda seguem voltados para o Rio de janeiro, e o que se faz no principal centro do Dadinho tem vocação para nacionalizar. Esta foi a única opinião que não foi compartilhada por todos os entrevistados.
Estas foram as opiniões que colhi de quem, efetivamente, conhece a regra, já que sou apenas um curioso que tenta entender o motivo de tanto sucesso. E você, prezado leitor, que tem curiosidade pelo Dadinho, gostaria de praticar a regra, mesmo que de forma não federada? E você, adepto da regra, concorda com as teses aqui expostas? Gostaria muito de saber a opinião de vocês sobre o crescimento exponencial desta jovem regra do futebol de mesa.
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Formado em Agronomia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, José Carlos Marques Cavalheiro, nasceu na capital carioca no ano de 1962. Foi atleta de futebol de mesa na regra12 Toques de 1998 a 2005, quando foi viver em diferentes lugares: São Paulo, Paris, Jundiaí e Bogotá, onde atualmente reside. Exerce, desde dezembro de 2004, o cargo de Diretor de Comunicação da FEFUMERJ. Além de cronista, Cavalheiro é membro do núcleo de jornalismo e o editor-chefe do portal Mundo Botonista.
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