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MUNDO BOTONISTA

Por: Jonnilson Passos em 13/03/2026

Interdisciplinaridade nas regras: benefícios e correlações

Olá, amigos do Mundo Botonista e da pluralidade de regras. Debater os pontos positivos e negativos das regras que permeiam o nosso maravilhoso esporte parece ser quase um ritual universal entre botonistas. Sempre que a resenha começa, cedo ou tarde surge a pergunta que atravessa gerações e mesas de jogo: “Afinal, qual é a melhor regra?” Talvez a resposta mais honesta não esteja na busca pela melhor, mas na disposição para compreender cada regra em sua singularidade. É nesse sentido que proponho um olhar mais interdisciplinar: observar a beleza de cada regra de forma isolada e, depois, correlacionar seus fundamentos com a melhoria do desempenho na regra de preferência de cada atleta — e não simplesmente eleger vencedores nesse eterno debate. De forma bem clara: só quem sabe onde o sapato aperta é quem o calça. E isso é fato.

Muito se fala, pouco se experimenta. Poucos são os que se permitem uma verdadeira imersão prática nesse passeio pelas diferentes regras do futebol de mesa. Menos ainda são os que conseguem perceber os benefícios e as vantagens de transitar entre elas, compreendendo que cada modalidade carrega consigo uma pedagogia própria do gesto, do olhar e da tomada de decisão. Ao refletir sobre isso, gostaria de compartilhar com vocês o curioso caso do tricampeão Brasileiro dos Masters na regra 12 toques, Almo de Paula (1996, 2003 e 2009) que se sagrou também campeão da Brasileiro da regra Dadinho (categoria principal) em 2011. Ele costumava dizer que jogar dadinho o tornava um melhor finalizador na regra 12 toques. "O gol da 12 toques parecia um balaio" - dizia, rindo, o craque. Tive também o privilégio de dialogar com outra lenda viva do nosso esporte: o amigo pernambucano Humberto, conhecido — com toda justiça — como Mestre Securão.

Multiregras, multicampeão, vencedor nas regras 12 toques, Dadinho, 1 toque e Regra Pernambucana, Securão também jogou a 3 toques, mas não foi campeão por falta de quórum à época. Ainda assim, sua trajetória fala por si. Provoquei-o com a seguinte pergunta: “Você concorda que jogar regras diferentes pode melhorar o desempenho na regra dos 12 toques? Por quê?” Com a serenidade de quem entende o jogo dentro e fora das mesas, ele respondeu quase como quem entrega uma receita:

"Na regra 1 toque, você melhora o chute longo e a concentração. O fair play dessa regra é o carro-chefe."


"No dadinho, o jogo fica mais dinâmico; você se concentra no chute e na leitura do dado, especialmente nos cantos. Por outro lado, o dadinho atrapalha um pouco o toque de bola quando comparado aos 12 toques."


"Eu jogo a Regra Pernambucana, com bola de borracha. Essa modalidade consegue reunir fundamentos de todas as outras. Nela, o toque precisa ser preciso, os chutes são longos e a concentração é essencial."

Fica evidente que perceber as vantagens de ser multiregras é um dom que poucos desenvolvem. A maioria das opiniões ainda sustenta que essa diversidade “atrapalha a mão” já treinada, o gesto técnico, o palhetar, a condução — seja do dado, da pastilha, da bolinha de 10 mm, de 12 mm (regra maranhense), nos campos de madeira maciça, adesivados ou no tradicional estilo Oliver.

O que me motivou a escrever esta crônica foi justamente a vontade de provocar esse debate e mostrar que existem, sim, pessoas que, de forma empírica e experimental, provaram que é possível transitar entre regras sem perder identidade — e, muitas vezes, ganhando desempenho. Não se trata de esgotar o tema, mas de provocar uma visão interdisciplinar das regras, livre de preconceitos, aberta à experimentação e à descoberta do que cada regra tem de melhor.

Aqui no Maranhão, ainda estamos tentando superar algumas barreiras sobre esse assunto. Sou um incentivador do dadinho, não apenas por afinidade técnica, mas porque enxergo nele algo que vai além do simples jogo: a possibilidade de ampliar o olhar, de perceber beleza em outras paisagens, de compreender o esporte em sua diversidade. E, como bem diz o trecho da música “Vida Loka” (Parte 1), dos Racionais MC’s: “Até no lixão nasce flor”.

Esse verso simboliza resistência e esperança em meio à adversidade. Ele nos lembra que, mesmo nos contextos mais desacreditados, é possível fazer nascer algo belo, digno e transformador.

Por isso, a flor nasce, sim, no lixão.

Viva a diversidade!

Viva a bolinha!

Viva a pastilha!

E viva o dadinho

Biblioteca de "Botão com Ciência"
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Jonnilson Nogueira dos Passos, um apaixonado pelo Futebol de Botão e um talentoso Mestrando em Educação pela UFMA é também, contador, gestor público, professor, e tutor em EaD destacando-se na formação de tutores e formadores de diversas disciplinas a distância. O comprometimento do maranhense com o esporte vai além das competições; ele acredita no potencial do Futebol de Botão como objeto de estudo e pesquisa, com ênfase em sua história, impacto cultural e aspectos técnicos. No portal Mundo Botonista, o educador aceitou o desafio de explorar as fascinantes relações entre o Futebol de Botão e as Pesquisas Científicas no Brasil assinando a coluna Botão com ciência.
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jonnilson@mundobotonista.com.br


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