Painel do Mundo

Ricardo Cavalcante Sena, nascido em Formiga-MG em 1974 e morador de Anápolis-GO, é professor de História e Judô. Quando criança jogava futebol de botão com os amigos todos finais de semana. Isto foi constante até sua ida para o estado de Goiás em 1987. Em outubro de 2024, passou a disputar as etapas do goianiense na regra 12 toques, pelo ACG (Clube Atlético Goianiense), reencontrando a paixão pelo esporte que nasceu quando ainda era criança. Ricardo usa essa tribuna para falar daquele interstício comum na vida de quase todo botonista - quando acaba se afastando dos botões para retornar com paixão logo depois.
De volta para casa
Por Ricardo Sena (21/03/2026)

As crianças da geração dos anos 1970, 1980 e 1990 eram felizes e “não sabiam” a dimensão dessa felicidade. A brincadeira predileta de grande parte daquela criançada era entrar em campo com seus craques no mundo do futebol de botão. Aguardavam o final de semana, contando cada segundo do ponteiro do relógio, e, quando chegava, era pura alegria e a certeza de diversão e muitas disputas. Mesas no chão, times em campo e disputas acirradas. Mas, com o passar dos anos, à medida que a idade avançava, também surgiam cobranças e novas responsabilidades.
As "jogatinas" iam ficando cada vez mais escassas, e, aos poucos, eram subtraídas da vida de muitos. Com o passar dos anos, uma lacuna era criada, em que o tempo tomava para si toda aquela euforia dos finais de semana, nos “gramados” de um “Estrelão”, que foram aos poucos adormecendo, ficando apenas fragmentados de momentos memoráveis na lembrança. O futebol de botão que estava encarnado nas veias dessas crianças era como a erupção de um vulcão ativo que nunca se interrompia, mas, como num inesperado súbito e repentino insante, adormecia.

As prólicos constantes, que faziam parte do cotidiano daqueles que achavam que o mundo se resumia ao chute do artilheiro cobrindo aquela caixinha de fósforo, que outrora se tornava um goleiro, chegavam ao fim, como se um apito aos acréscimos após os 45 minutos do segundo tempo. Aqueles jogos que aconteciam em um campo de madeira ou no campo improvisado feito no chão de cimento queimado, no qual o “gramado” tornava-se perfeito e liso, ao receber aquela cera verde ou vermelha, garantindo não só o brilho, mas também o piso escorregadio e perfeito para a prática, chegava ao fim.
Mas nada como o tempo para que, num estalar de dedos, as lembranças voltassem à tona e despertassem aquela criança que fica guardada dentro de cada um, tornando-se novamente ativa e novamente com aquele sabor de quero mais, despertando novamente a vontade quase que desesperadora de voltar a campo e assim escrever um novo capítulo da história em torno do futebol de botão. E é dessa forma que muitos, após anos, voltam a praticar o futebol de mesa, não só como lúdico, mas como verdadeiros atletas federados. De volta para casa, com mesas a postos e times na mesa. Viva o mundo do futebol de mesa.
As ideias expressas nesse texto são de total responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal Mundo Botonista.
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