Painel do Mundo
Por Paulão Costa (11/09/2026)
Uma bonita presença brasileira em Paris

Nos dias 05 e 06 de setembro, as mesas do Mundial de Subbuteo Fistf pareciam grandes o suficiente para caber um país inteiro. De um lado, as grandes potências do Subbuteo, países com décadas de tradição, jogadores acostumados às grandes decisões, seleções construídas ao longo de gerações. Para se entender o tamanho da competição, estiveram presentes 255 jogadores, 5 continentes, 28 nações, 105 clubes, 499 jogos realizados em 53 mesas e, entre todos esses números, estava o Brasil. Nosso país chegava ao Mundial FISTF 2026, em Paris, com quatro atletas convocados para representar a bandeira: Fred Elesbão, Giuseppe Spasiano, Humberto Alencar e Daniel de Matos. Não era apenas mais uma participação, era uma missão e era a oportunidade de mostrar ao mundo que o Subbuteo brasileiro não queria mais apenas participar, queria deixar sua marca.
No Subbuteo, não existe gramado molhado, não existe vento, não existe torcida empurrando a bola para dentro; existe precisão, existe estratégia, existe concentração e existe aquela pequena fração de segundo em que um simples movimento pode separar a glória da eliminação. Foi nesse cenário que Fred Elesbão entrou para a história. Tricampeão brasileiro, campeão do International Open do Rio de Janeiro e um dos principais nomes da regra no país, Fred chegou a Paris carregando a responsabilidade de quem sabia que cada partida poderia representar um novo capítulo para o Subbuteo brasileiro. E ele não decepcionou. Na fase de grupos, Fred enfrentou adversários de diferentes escolas do futebol de mesa. E, quando o último jogo terminou, estava escrito na tabela: Fred Elesbão — Brasil — 4 pontos. Uma vitória. Um empate. Uma derrota E, principalmente, a classificação. O brasileiro havia conseguido aquilo que até então parecia tão distante: um atleta brasileiro estava avançando da fase de grupos de um Mundial Fistf. Naquele instante, não era apenas Fred que avançava. Avançava o Brasil, avançava uma geração, avançava a história.

TRÊS NOMES. UMA BANDEIRA
Enquanto Fred escrevia seu capítulo individual, os demais brasileiros também lutavam em Paris. Giuseppe Spasiano, Humberto Alencar e Daniel de Matos também escreviam seu capítulo, sendo que Giuseppe e Alencar nos veteranos e Daniel no Open se aprimoravam e evoluíam em todos os jogos. Cada um carregando sua própria trajetória, cada um carregando seu clube, cada um carregando sua família, seus amigos e todos aqueles que, no Brasil, acompanham o Subbuteo, muitas vezes sem os holofotes que outros esportes recebem. Mas havia algo maior.
E ENTÃO VEIO A SELEÇÃO.
No domingo, a camisa mudou de significado; já não era mais o jogador contra o jogador. Era o Brasil contra o mundo. A Seleção Brasileira estava no Grupo 2, ao lado de Bélgica, Áustria e Tchéquia, quatro países e quatro bandeiras e uma história esperando para ser escrita, e o Brasil entrou em quadra sabendo que as estatísticas não estavam a seu favor. Mas história não é feita de estatísticas; a história é feita de momentos. E aquele Mundial reservava um deles. Quando o resultado apareceu e o Brasil finalmente conquistou seu primeiro ponto em uma disputa mundial por seleções, no empate em 2 a 2 com a Tchéquia. Talvez para muitos aquilo parecesse apenas um número. Um, um ponto. Mas quem conhece o caminho sabe que aquele número carregava anos, carregava viagens, carregava torneios, carregava treinamentos, carregava derrotas e carregava atletas que insistiram quando seria muito mais fácil desistir. E, naquele domingo em Paris, o Brasil conquistou algo que ficará registrado para sempre na história da modalidade: o primeiro ponto da Seleção Brasileira em um Mundial Fistf. Não era apenas um ponto na tabela, era uma porta que se abria, era a prova de que o Brasil podia competir e era a mensagem enviada às outras seleções: nós chegamos!

E O FRED?
Fred continuava ali. Na competição individual, ele já havia feito o inimaginável. Entre 64 atletas, atravessou a fase de grupos e colocou o nome do Brasil na fase seguinte. Talvez um dia esse feito pareça pequeno para quem olhar apenas para uma tabela. Mas não será porque alguém precisava ser o primeiro, e esse alguém foi Fred Elesbão. O primeiro brasileiro a ultrapassar a barreira da fase de grupos em um Mundial. O primeiro a transformar uma participação brasileira em uma campanha histórica. O primeiro a mostrar que era possível.
PARIS NÃO FOI O FIM
Talvez essa seja a parte mais bonita dessa história. O Mundial Fistf 2026 terminou. As mesas foram desmontadas, as bandeiras guardadas, os atletas voltaram para suas cidades. Mas algumas coisas não voltam ao lugar de antes. Porque, depois de Paris, o Subbuteo brasileiro já não pode olhar para si mesmo da mesma maneira. Agora existe um precedente, agora existe um caminho, agora existe um atleta brasileiro que passou da fase de grupos, agora existe uma Seleção Brasileira que pontuou pela primeira vez. Agora existe uma geração que poderá dizer: “Nós estivemos lá quando tudo começou a mudar.”
O BRASIL NÃO CONQUISTOU O MUNDO
Ainda não, mas conquistou algo que, para quem conhece a história, pode ser ainda mais importante: conquistou o direito de sonhar maior. E talvez seja exatamente assim que grandes histórias começam. Não com um título, não com uma taça, não com uma final. Mas com um pequeno ponto, com uma classificação, com quatro brasileiros vestindo a mesma camisa, com uma bandeira verde e amarela atravessando o oceano e com uma bola minúscula contando uma história gigantesca. Paris testemunhou. Fred escreveu seu nome, a Seleção deixou seu primeiro ponto e o Brasil, finalmente, deixou de ser apenas visitante. Passou a fazer parte da história do Mundial. E quando alguém perguntar um dia onde começou a caminhada brasileira rumo aos grandes palcos do Subbuteo mundial, a resposta estará guardada em duas palavras: Paris, 2026.Paris testemunhou. Fred escreveu seu nome, a Seleção deixou seu primeiro ponto e o Brasil, finalmente, deixou de ser apenas visitante. Passou a fazer parte da história do Mundial. E quando alguém perguntar um dia onde começou a caminhada brasileira rumo aos grandes palcos do Subbuteo mundial, a resposta estará guardada em duas palavras: Paris, 2026.
E naquela mesa... o Brasil começou a acreditar.
Biblioteca de "Subbuteo Planet"
Reler publicações anteriores dos cronistas desta coluna.
Além de pai do Samuel, o Educador Físico Paulão Costa é professor e instrutor de academia no Rio de Janeiro. Este carioca foi um dos fundadores do departamento de futebol de mesa do Aliados Campestre e da Associação Campograndense de Futebol de Mesa ambos do Rio de Janeiro. Desde 2016 é atleta de Subbuteo tendo passado pelas equipes do Bangu-RJ, Vasco da Gama-RJ, Associação Campograndense e Aliados Campestre, além de integar a Diretoria do Subbuteo na Fefumerj. No portal Mundo Botonista, Paulão é o embaixador da regra e cronista responsável pela coluna Subbuteo Planet
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